segunda-feira , 20 novembro 2017
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Povoado do Engenho

Povoado do Engenho

Há 27 km do município de Cavalcante localiza-se o Povoado do Engenho II, que fica situado dentro do Sítio Histórico e Patrimônio Cultura Kalunga que abriga lindas cachoeiras como a Capivara com 70 metros de queda, a Santa Bárbara muito famosa por sua belíssima cor azul fora do comum.

O Sítio Histórico e Patrimônio Cultura Kalunga possuí 237 mil hectares.

A Comunidade Quilombola Kalunga do Engenho II

Dos primeiros quilombolas se originou a população Kalunga, os quilombolas era uma comunidade de escravos que fugiram de seus cativeiros e organizaram os quilombos, vivendo em lugares isolados, construiram assim uma cultura e uma identidade própia, com sua origem africana e os custumes dos Europeus colonizadores, seguidos de uma forte influência do catolicismo tradicional. Os quilombos localizavam-se ao norte do território que hoje fica a Chapada dos Veadeiros. Desde o ano de 1991, toda esta área ocupada por estas comunidades quilombolas foi reconhecida oficialmente pelo Governo do Estado do Goiás como Sítio Histórico que contém o Patrimônio Cultural Kalunga.

No nordeste do munícipio é situado a área Kalunga, com mais de 230 mil hectares de cerrado protegido. É considerado a maior comunidade de quilombo que restou do Brasil, contando com aproximadamente 4 mil cidadãos. Este povo só teve contato com a civilização há menos de 30 anos.

A história dos povo kalunga faz parte do período de mineração do Brasil Colônia e dos famosos bandeirantes. O povo cansado de serem explorados, acabaram por se revoltarem e fugiram, onde se refugiaram na mata em lugares de difícil acesso, daí então formaram o povoado Kalunga.

A região do Engenho permanece praticamente intacta, bem preservada e com enorme riqueza natural, conta com a proteção do decreto que estabeleceu o Sítio Histórico do Kalunga, que foi através da intervenção da professora goiana Mari de Nazaré Baiocchi. Mari escreveu um livro chamado Kalunga, Povo da Terra, que foi o marco inicial do processo para obter o decreto que os protege.

Os Kalungas tem diversas tradições como as festas santas que são ricas de rituais cerimoniosos, algumas delas são o Levantamento do Mastro, que possuí coreografia complicada e atraem milhares de visitantes e também a Festa do Império.

Varias outras festas de tradição são celebradas na sede como: a Festa do Divino, Folia de Reis, Caçada da Rainha, a caminhada na Sexta-feira Santa e também Carnaval de rua, muito famoso na região.

Em meio a Chapada dos Veadeiros, encontramos uma grande variedade de animais como camaleões, pacas, lontras, lagartos, antas, onças, tucanos, periquitos, araras e onças, e de várias plantas como Jatobá, Angico, Sucupira, Pau-Brasil, Baru, Ipê, Arnica, Carvoeiros, Orquídeas de várias formas e cores, Canela-de-Ema, além das surpreendentes flores do cerrado.

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Foi no final do século XVII e no começo do século XVIII que os bandeirantes finalmente conseguiram realizar o sonho do encontrar ouro nas terras do interior do Brasil. A quantidade de ouro era tamanha que as terras onde foi descoberto passaram a ser chamadas de Minas Gerais. Começou então a febre do ouro e muitos portugueses se mudaram para as Minas Gerais buscando o enriquecimento rápido. Esta nova leva de imigrantes também trouxe consigo um enorme contingente de escravos africanos para trabalhar na mineração, tal qual ocorria nas lavouras de cana-de-açúcar.
O trabalho era constante, cavando as beiras de rios e ribeirões, com metade do corpo dentro d’água, tirando o cascalho misturado com as pepitas de ouro que posteriormente eram separadas. Muitos escravos viviam a maior parte do tempo na escuridão, trabalhando nas minas e cavando cada vez mais fundo para tirar o ouro de dentro da terra.
A ambição dos bandeirantes os fez adentrar as terras do sertão, subindo e descendo serras e avançando pelo cerrado. Em 1722, o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, juntamente com João Leite da Silva Ortiz, chegou àquelas terras que iriam ser chamadas de “minas dos Goiases”, nome dado em função de um povo indígena que vivia na região. Com isto começou o ciclo do ouro nesta região e com ele a história do povo Kalunga.O trabalho na mineração era difícil e a condição de escravidão na qual viviam tornava a vida muito dura. As fugas eram constantes e os castigos àqueles que eram recapturados muito severos. Entretanto, mesmo correndo o risco de serem pegos, os escravos continuavam tentando fugir em busca da liberdade.

Para evitar a recaptura os fugitivos tinham que ir cada vez mais longe, refugiando-se na região da Chapada dos Veadeiros. O relevo, extremamente acidentado desta região, formando um verdadeiro mar de serras, dificultava as buscas e foi aí que se estabeleceu o território Kalunga. Cercado por inúmeras serras, este território também tem uma grande quantidade de rios que o abastece de água. O principal rio da região é o Paranã, afluente do rio Tocantins que, após receber as águas do rio Araguaia deságua no rio Amazonas. Entretanto, o território Kalunga não era desabitado. Esta região também servia de refúgio para diversos povos indígenas que fugiram de seus territórios com a chegada dos colonizadores. Havia povos de diversas nações, como os Acroá, Capepuxi, Xacriabá, Xavante, kaiapó, karajá e Avá-Canoeiro.
Os índios não tinham muita confiança para se aproximar dos quilombolas, pois achavam que os negros faziam parte do mundo dos brancos, com o qual não queriam contato. Os negros por sua vez também temiam os índios, pois muitos deles, conforme diz o povo Kalunga, eram índios bravos, que não tinham amansado. Mas os índios não eram inimigos dos negros dos quilombos. Os mais velhos contam que era costume tratar os índios por tapuias ou compadres e que todos tomavam cuidado para não assustar ou aborrecer os compadres quando eles andavam por perto das casas. Tinham que aceitar como brincadeira até as coisas um pouco malvadas que às vezes faziam, por malineza, como diz o povo Kalunga. Fazia parte destas “brincadeiras“ roubar a comida que ficou na panela do lado de fora e até mesmo levar embora uma criança kalunga, para só devolver uns dias depois. Pouco a pouco a confiança entre negros e índios foi crescendo. Os índios tinham curiosidade de ver, mesmo que de longe, como viviam os quilombolas, espiando sem serem vistos, acompanhando as festas e rezas. Com o passar dos anos eles foram se aproximando e depois de algum tempo já passaram a ocorrer casamentos entre eles.
Além dos quilombolas e índios, outros negros, que no século XIX se mudaram para aquelas serras e ali foram abrir fazendas ou viver em pequenos sítios, se juntaram ao povo Kalunga. Assim, lentamente, o povo Kalunga foi se estendendo pelas serras em volta do rio Paranã, por suas encostas e seus vales, que os moradores chamam de vãos.
Hoje eles ocupam um território que abrange parte dos municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás. Nesse território existem quatro núcleos principais de população: a região da Contenda e do Vão do Calunga, o Vão de Almas, o Vão do Moleque e o antigo Ribeirão dos Negros, depois rebatizado como Ribeirão dos Bois. E é assim que os moradores se identificam quando se pergunta de onde eles são: do Vão de Almas, da Contenda, do Moleque…

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